
Algumas pessoas desmaiam sempre da mesma forma. A cena se repete: a visão escurece, o corpo fica leve demais, o suor surge de repente e, antes que seja possível reagir, tudo apaga. Esse padrão, que aparece ao longo do tempo com a mesma sequência de sinais e gatilhos, é chamado de síndrome vasovagal — a forma recorrente mais estudada de síncope reflexa.¹
Segundo as diretrizes europeias de síncope, a síndrome não é causada por doença do coração.² O problema está no sistema nervoso autônomo, responsável por regular pressão arterial, ritmo cardíaco e resposta ao estresse. Ele reage de maneira exagerada a certos estímulos: calor intenso, ficar muito tempo em pé, dor aguda, estresse emocional, jejum prolongado ou ver sangue.¹ Quando acionado, esse reflexo reduz os batimentos cardíacos e relaxa os vasos sanguíneos de forma abrupta. A pressão arterial despenca. Com menos sangue chegando ao cérebro, o desmaio acontece.¹
Por ser um reflexo provocado por hipersensibilidade a esses gatilhos — e não uma alteração permanente no coração ou no cérebro —, o que deflagra a síndrome são as situações que ativam esse mecanismo de forma exagerada. Os sintomas que surgem antes do episódio funcionam como alerta de que o reflexo está em curso: náusea, palidez, visão em túnel, sudorese fria e sensação de que o desmaio vem a qualquer momento.¹ Reconhecer esses sinais a tempo permite que a pessoa sente ou se deite, o que pode evitar a perda completa de consciência.
Na maioria dos casos, os episódios não trazem consequências graves. Mas há situações que pedem avaliação médica.
Quando investigar além do padrão esperado
A avaliação se justifica se o desmaio ocorre sem sinais prévios, surge durante esforço físico, se repete em intervalos curtos, está associado a doença cardíaca prévia ou provoca quedas com trauma — critérios descritos nas diretrizes americanas de síncope.³ Nesses casos, exames como eletrocardiograma ajudam a descartar arritmias ou alterações estruturais do coração.³
Se o padrão é típico e não há fatores de risco, a investigação costuma ser direta, voltada à prevenção de novos episódios.³ Mas quando há sinais sugestivos de outra causa — arritmia ou alteração estrutural cardíaca, que não fazem parte da síndrome vasovagal —, a avaliação precisa ser mais detalhada.³
No atendimento imediato, o foco é garantir segurança e acompanhar a recuperação. Depois, entender como cada episódio aconteceu, que sinais surgiram antes e quais medicamentos estão em uso ajuda a distinguir a síndrome de outros tipos de síncope, como a ortostática ou a cardíaca.³
Como prevenir e controlar os episódios
Cuidados simples podem reduzir a frequência: manter hidratação adequada, alimentação regular e evitar gatilhos conhecidos.¹ Quem identifica os primeiros sinais pode fazer manobras que aumentam o volume de sangue chegando ao coração e impedem a progressão do desmaio — cruzar as pernas, contrair a musculatura ou aplicar força isométrica, que é a contração muscular mantida sem movimento articular.⁴
Para quem tem episódios frequentes, existem treinos específicos que ajudam o corpo a lidar melhor com mudanças de postura e situações de estresse. Em casos selecionados, medicamentos ou dispositivos podem ser considerados, sempre após avaliação completa.³
Reconhecer os gatilhos, identificar os sinais de alerta e saber quando buscar ajuda médica torna a síndrome vasovagal mais previsível e manejável. Entender quando o reflexo explica o episódio — e quando é preciso investigar outra causa — permite conduzir o cuidado com segurança, reduzindo o impacto na rotina e prevenindo complicações.
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- Brignole M, Moya A, de Lange FJ, et al. 2018 ESC Guidelines for the Diagnosis and Management of Syncope. European Heart Journal. 2018;39(21):1883–1948. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29562304/
- Freeman R, Wieling W, Axelrod FB, et al. Consensus on the definition of orthostatic hypotension, neurally mediated syncope and the postural tachycardia syndrome. Clinical Autonomic Research. 2011;21(2):69–72. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/21431947/
- Shen WK, Sheldon RS, Benditt DG, et al. 2017 ACC/AHA/HRS Guideline for the Evaluation and Management of Patients With Syncope. Circulation. 2017;136:e60–e122. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28280231/
- Krediet CT, van Dijk N, Linzer M, et al. Management of vasovagal syncope: controlling or aborting faints by leg crossing and muscle tensing. Circulation. 2002;106(13):1684–1689. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/12270863/