Calor e sol pioram doenças reumáticas?

Cerca de 15 milhões de pessoas são acometidas por doenças reumáticas e devem redobrar a atenção ao sol durante as férias

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Com a aproximação do verão e o aumento das atividades ao ar livre, cresce também a preocupação com a saúde de pessoas que convivem com doenças reumáticas, que, só no Brasil, afetam cerca de 15 milhões de pessoas, segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR). Um número expressivo que reforça a importância da conscientização sobre cuidados essenciais durante a estação mais quente do ano.

Entre essas condições, o Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma das que mais exigem atenção devido à sensibilidade elevada à radiação ultravioleta (UV). O lúpus é uma doença autoimune séria, crônica e sem cura, na qual o sistema imunológico ataca tecidos e órgãos saudáveis do próprio corpo. A enfermidade pode comprometer múltiplos sistemas, como a pele, células sanguíneas, articulações, rins, coração, cérebro e pulmões. Sem tratamento adequado, pode evoluir para complicações graves e até levar à morte.

Os sintomas são variados e podem surgir de forma súbita ou gradual. Entre os mais frequentes estão desânimo, febre baixa, perda de apetite e peso, além de manifestações musculoesqueléticas e cutâneas. Além desses sintomas, lesões de pele, articulações com dores, inchaço e falta de ar também são alguns de seus sinais clínicos.

Durante o verão, os cuidados devem ser intensificados. Pessoas com lúpus e outras doenças reumáticas têm maior sensibilidade ao sol, e a radiação UV pode desencadear surtos inflamatórios, agravando sintomas e comprometendo ainda mais órgãos internos. A exposição solar prolongada pode piorar o quadro devido a diversos fatores, como o uso de medicamentos fotossensibilizantes, a sensibilidade aos raios ultravioleta, a ativação do sistema imunológico e a piora dos sintomas cutâneos.

Além do lúpus, outras doenças reumáticas como artrite reumatoide e espondiloartrites também podem apresentar agravamentos com o calor extremo e a exposição inadequada ao sol.

Como se proteger durante o verão

Entre as orientações essenciais para prevenir crises estão o uso diário de protetor solar com FPS 50 ou superior, reaplicado a cada duas horas, além da preferência por roupas com proteção UV, chapéus e óculos. Também é fundamental evitar a exposição direta ao sol entre 10h e 16h, manter-se bem hidratado e continuar o acompanhamento médico regular, seguindo rigorosamente o tratamento prescrito.

Com cuidados simples, mas consistentes, o paciente consegue aproveitar o verão, viajar e manter sua rotina de férias com segurança. A prevenção é a principal aliada para evitar crises e complicações.

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Dra. Cláudia Goldenstein Schainberg

Reumatologista, com mestrado e doutorado em Medicina pela Universidade de São Paulo. Fellowship em Reumatologia e Reumatologia Pediátrica no New England Medical Center e Boston Floating Hospital, Tufts University em Boston, EUA e na Toronto University, Toronto, Canadá.

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