Mpox no Brasil: há casos confirmados em 2026? O que dizem os dados oficiais do Ministério da Saúde

Registros existem e seguem sob vigilância ativa, mas dados oficiais sobre mpox no Brasil em 2026 não indicam surto amplo no país neste momento

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A pergunta voltou a circular nas buscas e nas redes sociais: estamos novamente diante de um avanço da mpox no Brasil em 2026? A resposta, à luz dos dados oficiais do Ministério da Saúde, é direta. Sim, há casos confirmados de mpox no Brasil. O que isso não significa, ao menos até agora, é a existência de um surto amplo ou fora de controle, segundo informações públicas das autoridades sanitárias nacionais e de organismos internacionais.

A mpox, causada pelo mpox vírus (MPXV), pertence ao gênero Orthopoxvirus, o mesmo da antiga varíola humana¹. A infecção costuma começar com sintomas gerais — febre, mal-estar, dor de cabeça e aumento de linfonodos — e evoluir para lesões cutâneas características, que passam por diferentes fases até cicatrizarem². Na maior parte dos casos confirmados, trata-se de uma doença autolimitada, isto é, o próprio organismo tende a controlar a infecção ao longo de algumas semanas.

De acordo com o Painel Mpox do Ministério da Saúde, que consolida os registros nacionais desde 2022 e foi acessado para esta reportagem em fevereiro de 2026, o Brasil acumulou mais de 50 mil notificações e mais de 10 mil casos confirmados ao longo do surto internacional iniciado naquele ano³. Após o pico observado nesse período, houve redução progressiva nas novas confirmações, acompanhando o comportamento descrito por organismos internacionais.

Situação atual da mpox no Brasil segundo dados oficiais

Para entender o momento atual, vale imaginar o sistema de vigilância epidemiológica como um radar permanentemente ligado. Ele não é acionado apenas em situações de emergência; acompanha, de forma contínua, cada caso suspeito e confirmado. O Painel Mpox do Ministério da Saúde permanece ativo e mostra que o vírus continua sendo registrado no território nacional³. A plataforma pública, porém, ainda não apresenta um recorte consolidado exclusivo para o ano de 2026. Por isso, números que circulam fora de boletins oficiais devem ser lidos com cautela.

Também é importante separar dois conceitos que costumam se misturar no debate público: presença viral e emergência sanitária. Em 23 de julho de 2022, a Organização Mundial da Saúde declarou Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional⁴. Desde então, as notificações diminuíram em diversos países. Atualização epidemiológica publicada pela Organização Pan-Americana da Saúde, em agosto de 2023, apontou tendência de estabilização ou queda na maior parte das Américas⁵.

Os registros atuais no Brasil se inserem nesse cenário de vigilância epidemiológica contínua. Do ponto de vista técnico, a existência de casos confirmados de mpox não significa, por si só, transmissão comunitária ampla nem crescimento acelerado da doença.

A transmissão da mpox ocorre principalmente por contato direto com lesões, fluidos corporais ou secreções respiratórias de pessoas infectadas². Diferentemente de infecções com alta transmissão aérea, como ocorreu com a covid-19, a mpox depende de contato próximo e prolongado. O diagnóstico é feito por exame laboratorial específico, geralmente um teste molecular do tipo PCR, capaz de identificar o material genético do vírus em amostras coletadas das lesões¹.

Na maioria das situações, a evolução clínica é leve a moderada. Complicações podem ocorrer, especialmente em pessoas imunossuprimidas, crianças pequenas ou gestantes, mas são menos frequentes, segundo documentos técnicos da Organização Mundial da Saúde¹. Essa contextualização ajuda a dimensionar o risco real sem recorrer a alarmismo.

A ciência não opera com certezas absolutas, mas com monitoramento constante e atualização de evidências. Até o momento, os dados oficiais sobre mpox indicam um cenário acompanhado de perto pelas autoridades sanitárias, sem sinais públicos de expansão generalizada no país.

Entre a indiferença e o exagero, o caminho mais seguro continua sendo o da informação qualificada. Vigilância ativa não é sinônimo de crise; é sinal de preparo. E, quando o assunto é mpox no Brasil, preparo e transparência são essenciais para que episódios isolados não ganhem proporções indevidas.

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  1. World Health Organization (WHO). Mpox – Fact Sheet. Atualizado em 2024. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/mpox
  2. Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Mpox: How It Spreads. Atualizado em 2024. Disponível em: https://www.cdc.gov/mpox/causes/index.html
  3. Ministério da Saúde (Brasil). Painel Mpox. Dados acumulados desde 2022. Acesso em fevereiro de 2026. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/svsa/cnie/painel-mpox
  4. World Health Organization. WHO Director-General declares the multi-country outbreak of mpox a Public Health Emergency of International Concern. 23 de julho de 2022. Disponível em: https://www.who.int/news/item/23-07-2022-who-director-general-declares-the-ongoing-monkeypox-outbreak-a-public-health-emergency-of-international-concern
  5. Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). Epidemiological Update: Mpox. Agosto de 2023. Disponível em: https://www.paho.org/en/documents/epidemiological-update-mpox

Equipe Saúde a Sério

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