
A Hipertensão Arterial Pulmonar (HAP) é uma doença rara e crônica que provoca o aumento anormal da pressão nas artérias pulmonares — os vasos que transportam o sangue do coração para os pulmões¹. Esse aumento faz com que o ventrículo direito (a câmara do coração que bombeia sangue para os pulmões) trabalhe com esforço extra, reduzindo a oxigenação do corpo e causando sintomas como falta de ar, cansaço e dor no peito¹ ². Embora não tenha cura, o tratamento adequado pode desacelerar a progressão e melhorar a qualidade de vida.
Estudos indicam que entre 15 e 50 pessoas por milhão de habitantes convivem com a doença². O número pode parecer pequeno, mas o impacto é expressivo: a HAP interfere na autonomia, na disposição e até na saúde mental — especialmente entre mulheres em idade fértil.
O diagnóstico ainda é demorado
O diagnóstico costuma levar tempo. Em média, os pacientes esperam de sete meses a dois anos entre os primeiros sintomas e a confirmação³. Nesse período, muitos passam por diferentes especialistas e são tratados por problemas cardíacos ou respiratórios que não correspondem à verdadeira causa³. Sem o manejo correto, a sobrevida média cai para cerca de três anos³, o que reforça a importância de reconhecer precocemente os sinais.
Os sintomas são vagos e podem ser confundidos com os de outras doenças. Falta de ar (78%), fadiga (65%) e **dor ou pressão no peito (33%)**³ estão entre as queixas mais comuns. Por isso, o clínico geral ou o cardiologista costumam ser os primeiros a atender esses pacientes. Em muitos casos, o diagnóstico definitivo só ocorre quando a doença já está em estágio avançado.
Causas e fatores de risco
A HAP pode ser idiopática — quando não há causa identificável — ou estar associada a doenças autoimunes, cardiopatias congênitas e ao uso prolongado de certos anorexígenos (medicamentos para emagrecimento)⁴. Embora o motivo exato do predomínio feminino ainda não esteja totalmente esclarecido, fatores hormonais e genéticos parecem influenciar a doença.
A HAP nas mulheres
Entre as mulheres, a prevalência é de duas a quatro vezes maior do que entre os homens⁴. Durante a gestação, o risco aumenta consideravelmente: a **mortalidade materna pode chegar a 56% e a neonatal a 13%**⁵. Pesquisas internacionais mostram que cerca de 80% das mulheres com HAP relatam sintomas depressivos ou sobrecarga emocional ligados às limitações impostas pela doença⁶.
Impacto na qualidade de vida
Mesmo com o tratamento, as restrições físicas e emocionais tendem a persistir. Estudos realizados no Brasil e em outros países apontam que a HAP afeta aspectos físicos, sociais e psicológicos da vida, com impacto semelhante ao observado em doenças cardíacas graves⁶ ⁷. A reabilitação cardiopulmonar supervisionada tem mostrado bons resultados em resistência e capacidade funcional⁷, mas o sucesso depende da adesão ao tratamento e da identificação precoce da doença.
Tratamento e acompanhamento contínuo
O manejo deve ser feito por equipes multidisciplinares, envolvendo cardiologistas, pneumologistas, fisioterapeutas e psicólogos. O tratamento combina medicamentos específicos que dilatam os vasos pulmonares e melhoram o fluxo sanguíneo, além de programas de reabilitação e acompanhamento contínuo. Estar atento a sinais como falta de ar persistente, cansaço fora do comum e dor no peito sem causa aparente pode reduzir o tempo até o diagnóstico e aumentar as chances de uma vida mais estável e ativa.
Para Levar a Sério
A Hipertensão Arterial Pulmonar (HAP) é uma doença rara e progressiva que afeta as artérias que levam sangue do coração aos pulmões.
- Os sintomas mais comuns são falta de ar, cansaço e dor no peito — sinais que muitas vezes passam despercebidos.
- O diagnóstico pode demorar até dois anos, o que agrava a evolução da doença.
- A HAP é duas a quatro vezes mais frequente em mulheres, especialmente em idade fértil.
- Durante a gravidez, o risco é alto: a mortalidade materna pode chegar a 56%.
- O tratamento exige acompanhamento multidisciplinar e pode incluir medicamentos específicos, reabilitação e apoio psicológico.
- A identificação precoce dos sintomas e o acompanhamento com especialistas são fundamentais para melhorar a qualidade de vida.
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